Era uma tarde de domingo
Eu tocava violão,
os sons eram
uma tentativa.
Eles saiam,
alquebrados...
eles gritavam
Era uma tarde de domingo
daquelas em que fingimos
que não nos
importamos
que
simplesmente
não
nos importamos
Era uma tarde de domingo
Propícia a procrastinação,
com sorte, a
criação.
Era uma tarde de domingo
e o menino brincava
com os gatos como se eles
fossem brinquedos
até que eles
cansaram e
o engoliram.
Era uma tarde de domingo,
depois de um almoço de domingo
com macarrão,
refrigerante e
sobremesa.
E nessa tarde de domingo,
eu tocava
violão.
E nessa tarde, o menino morreu
Eu matei ele, com meu violão
e servi num banquete
aos sapos e
banqueiros negligentes,
e
mentirosos e viciados em trabalho
e pernas peludas.
E eles comeram o garoto
Falando sobre Paris e a perestroika
que um dia
vai ocorrer
em nossas
vidas.
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