sábado, 6 de outubro de 2012

Uma tarde de domingo


Era uma tarde de domingo
Eu tocava violão,
     os sons eram
                  uma tentativa.

Eles saiam,
        alquebrados...
                  eles gritavam

Era uma tarde de domingo
daquelas em que fingimos
     que não nos importamos
     que simplesmente
             não nos importamos

Era uma tarde de domingo
Propícia a procrastinação,
   com sorte, a criação.

Era uma tarde de domingo
       e o menino brincava
       com os gatos como se eles
       fossem brinquedos
       até que eles
       cansaram e
o engoliram.

Era uma tarde de domingo,
depois de um almoço de domingo
com macarrão,
     refrigerante e
              sobremesa.

E nessa tarde de domingo,
   eu tocava violão.
E nessa tarde, o menino morreu

Eu matei ele, com meu violão
e servi num banquete
     aos sapos e banqueiros negligentes,
            e mentirosos e viciados em trabalho
e pernas peludas.

E eles comeram o garoto
     Falando sobre Paris e a perestroika
        que um dia vai ocorrer
        em nossas vidas.

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